2.1-Teorias de aprendizagemThis is a featured page

A utilização das Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) em contexto educativo constitui uma mais-valia para a eficácia e eficiência da intervenção pedagógica à luz das mudanças impostas pela evolução da sociedade, e da sua verdadeira integração na sociedade do conhecimento. O processo de ensino-aprendizagem é complexo e tem sido objecto de diversos estudos ao longo dos anos, que se traduzem em teorias entre as quais se destacam o behaviorismo e o construtivismo. Numa perspectiva holística, a evolução das teorias de aprendizagem, contempla três valências fulcrais e integradas: a evolução das próprias teorias de aprendizagem, a evolução das metodologias, e a evolução tecnológica. O aparecimento do computador, ou mais precisamente, a possibilidade da sua utilização em termos massivos e o uso da Internet como ferramenta de construção do conhecimento, deram lugar a novas teorias resultantes das suas potencialidades ao nível do processo de ensino e aprendizagem. A tecnologia começou a ser equacionada ao nível do seu papel educativo como ferramenta tecnológica versus ferramenta cognitiva. O maior reflexo desta evolução, das próprias teorias, associadas à evolução tecnológica, mais concretamente, das aplicações multimédia, traduz-se em processos cada vez mais centrados no aluno, sendo este quem selecciona o caminho da sua aprendizagem. Contudo, não se pode negligenciar o papel igualmente activo do professor, como autor e facilitador dos materiais que disponibiliza aos seus alunos.
As teorias de aprendizagem assentam numa visão do mundo, de sociedade e de homem. Com o intuito de tornar mais simples e clara esta exposição, podemos agrupar as diversas teorias existentes em dois grandes blocos: Behaviorismo e Construtivismo.

Behaviorismo
O behaviorismo, referido muitas vezes como comportamentalismo, condicionismo ou como a teoria objectiva da aprendizagem, é uma teoria que se centra nos comportamentos objectivamente observáveis, sendo cada aprendizagem definida como uma aquisição de um novo comportamento.
Watson, considerado como o pai desta teoria, defende o condicionamento como um processo universal de aprendizagem e considera os comportamentos observáveis como os únicos dados válidos em Psicologia. Pavlov, Skinner e Bandura são alguns dos seguidores desta linha de pensamento através das teorias do condicionamento clássico, condicionamento operante ou instrumental e teoria a aprendizagem social, respectivamente.
Estas teorias, baseiam genericamente a aprendizagem num processo que ocorre através de princípios de reforço e também, no último caso, como resultado de um processo designado de modelagem (imitação do comportamento de outros).

Construtivismo
Esta teoria da aprendizagem parte do pressuposto que todos nós construímos a nossa própria concepção do mundo (Fernandes, 2004) em que vivemos a partir da reflexão sobre as nossas próprias experiências. Cada indivíduo utiliza “regras” e “modelos mentais” próprios (que gera no processo de reflexão sobre a sua experiência pessoal), consistindo a aprendizagem no ajustamento desses “modelos” a fim de poderem “acomodar” as novas experiências.
Nesta linha de pensamento surgem autores como Gardner, indentificando no indivíduo 7 inteligências distintas, (Verbal/Linguística, Lógica/Matemática, Visual / Espacial, Somato – Quinestésia, Musical – Rítmica, Interpessoal, Intrapessoal) que correspondem a 7 maneiras de perceber o mundo onde ficam subjacentes 7 estilos de aprendizagem.
Os modelos construtivistas variam na sua orientação: cognitivista (Piaget e Bruner), construcionista (Papert), social (Vygotsky) e ecológica (Brofenbrenner).
Sumariamente poder-se-á dizer que o cognitivismo defende a aprendizagem pela descoberta, dando ênfase à exploração de alternativas e ao currículo em espiral; o construcionismo centra-se na criação de ambientes propícios à actividade reflexiva do indivíduo.
A aprendizagem significativa é o resultado desse ambiente permitir processos de escolha, de ter uma multiplicidade de problemas que permitem a recontextualização (aprender – com e aprender – sobre) e de permitir também interacções ajustadas à forma como cada indivíduo coloca em acção as suas hipóteses; o socioconstrutivismo encara a aprendizagem como resultado das relações entre pensamento e linguagem, da questão cultural que permite interpretações individuais sobre o real e do processo de interiorização através das relações intra e interpessoais; a teoria ecológica é uma perspectiva teórica que considera que o desenvolvimento do ser humano tem a ver directa ou indirectamente com todo o contexto onde este ocorre. Tal contexto compreende não apenas o indivíduo mas também sistemas contextuais dinâmicos, modificáveis e em constante desenvolvimento no seu interior e na interface com diferentes contextos.
O contexto e as potencialidades das TIC, em particular a Internet, reforçam a centralidade da aprendizagem no aprendente, segundo Clark (1998), que define as arquitecturas congnitivas (receptiva, behaviorista, descoberta guiada e exploração) em que o o ambiente e a capacidade de metacognição do indivíduo definem o tipo de aprendizagem desenvolvida.
O construtivismo comunal (Ramos, 2007) salienta os ambientes proporcionadas pelas TIC e pela Internet na aprendizagem em comunidade onde a partilha e a disponibilização da informação construída / reconstruída pelo aprendente, onde este é o construtor de significados para a sua aprendizagem e é um elemento activo nessa comunidade.



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